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“Seguindo o Rei, Construindo o Reino” Mt 25,31-46

por Padre Reginaldo Antonio Ghergolet

enviado em 18/11/2011 às 10h24m

E V A N G E L H O   D A   S E M A N A

 

Jesus Cristo Rei do Universo

 

 

“Seguindo o Rei, Construindo o Reino” Mt 25,31-46

 

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 31“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. 32Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.           
34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! 35Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; 36eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar’.        
37Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? 38Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? 39Quando foi que te vimos doente ou preso e fomos te visitar?’         
40Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’  
41Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. 42Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; 43eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não me fostes visitar’................
44E responderão também eles: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso, e não te servimos?’          
45Então o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo: todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!’  
46Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”.          


- Palavra da Salvação.      
- Glória a vós, Senhor.

 

 

COMENTO:

 

Terminamos nosso ano litúrgico com a festa de Cristo Rei do Universo. A Igreja quer nos lembrar que foi Jesus que nós seguimos durante todo ano e é com ele que continuaremos caminhando. Durante esse ano quem nos guiou de forma sistemática foi Mateus, o evangelista da justiça. Seguindo a proposta dos sinóticos, Mateus no final fala do tema da vigilância e da preparação à vida vindoura.

 

O capítulo 25 de Mateus possui três parábolas com o mesmo objetivo. A parábola das virgens (Mt 25,1-13. A parábola dos talentos (Mt 25,14-30) que vimos domingo passado e o último Julgamento que hoje meditamos. São ensinamentos alegóricos com um único objetivo, ensinar a vigilância e incentivar um modo diferente de viver a fé.

 

Mateus escreve para os judeus convertidos que se reuniam na sinagoga e tinham a tentação de considerar a vigilância às leis como único critério para a salvação. Estavam também acostumados com a idéia que Deus estava presente somente no templo. Mas o templo havia sido destruído pelos romanos no ano 70 e Mateus escreve por volta do ano 85 dC. O objetivo da parábola é também ensinar onde Deus pode ser encontrado. Celebrando a festa de Cristo Rei do universo, vamos ao ensinamento de Mateus.

 

A imagem transmitida a princípio pelo evangelista não nos é estranha porque já nos acostumamos com ela. O Cristo na sua glória sentado no seu trono reunindo os bons a sua direita e os maus a sua esquerda. Essa idéia nos é transmitida e incentivada por uma catequese tendenciosa e ainda é utilizada por alguns pregadores para fazer “terrorismo espiritual”. Quantos de nós já não sonhamos em estar na direita e rir vendo nossos inimigos à esquerda. Quando celebramos Cristo como Rei corremos ainda esse risco, por isso precisamos mergulhar a fundo na mensagem que nos é proposta.

 

Mateus apresenta o julgamento comparando com a reunião das ovelhas que os pastores costumavam fazer em seu tempo. As noites eram frias e as Cabras eram menos resistentes ao frio do que os carneiros e precisava de um ambiente diferenciado. Se comparando a realidade desse costume, as cabras é que eram privilegiadas e não os carneiros. Corremos o risco de ficar somente com a imagem esquecendo-se da mensagem que nos é transmitida.

 

Quando ficamos apenas com essa imagem de Cristo no trono com os bons a direita e os maus a esquerda, empobrecemos nossa vivência Cristã. É muito fácil gritar Jesus como nosso rei achando que apenas por esse grito mereceremos a direita dele. É o que mais ouvimos e é o que mais nos agrada na maioria das seitas religiosas que nos oferecem a garantia de estar do lado certo no julgamento.

 

Jesus é o juiz em Mateus que é o evangelista da justiça. Ele viveu a justiça, testemunhou a justiça e julga agora com justiça. O critério para estarmos a sua direita não está apenas em assumir Jesus como rei, mas em viver sua justiça. A parte que segue do ensinamento é mais importante do que a parte que fixamos em nossa mente. É ali que está todo ensinamento do Evangelho. Se quisermos realmente seguir Jesus como nosso Rei, não podemos ficar somente com a imagem inicial, é preciso ver o que é a justiça.

 

É um costume dos rabinos no tempo de Jesus transmitir uma mensagem de forma repetitiva para que fique bem claro na mente dos discípulos. A primeira de forma positiva e a segunda de forma negativa. Os estudiosos vão chamar esse gênero literário de “paralelismo antitético”. É uma linguagem muito comum nos provérbios e nos ensinamentos populares.

 

Como foi dito a princípio, os judeus convertidos acreditavam que o cumprimento a lei ou a presença no templo era suficiente para a salvação. Jesus apresenta o julgamento final e as propostas para estarmos à sua direita. Sua proposta é muito simples: a caridade aos famintos, aos sedentos, aos nus e aos marginalizados. Esses são os marginalizados do tempo de Jesus, em nosso tempo poderíamos multiplicar essa lista para ficar bem claro qual o caminho para a direita do rei.

 

A caridade é o único caminho para a eternidade. O rei vai julgar pela caridade que fizemos e não por outras coisas. Na hora não vai adiantar muito as celebrações bonitas, as homenagens longas e os gritos ao nosso Rei. No caminho para a direita de Deus está o pobre, o necessitado. São as obras de misericórdia que nos destinarão ao Reino.

 

Essa é a justiça de Jesus que Mateus nos transmite. Sem a caridade, sem o desprendimento e o comprometimento com o sofredor, nenhuma outra manifestação é válida. Se chegarmos sem a caridade praticada diante do Rei, corremos o risco de não sermos reconhecidos como seguidores desse rei. Celebremos o Cristo Rei fazendo sua justiça.

 

É importante notar também que os que fizeram justiça no evangelho não tinham consciência do que tinham feito. A caridade é costume na maioria dos povos antigos. O diferencial do Evangelho é que Jesus se coloca no lugar do necessitado. Fazer caridade para o Evangelho é honrar o próprio Deus.

 

O bem, a caridade para o cristão não pode ser realizada apenas em busca de algo. Não podemos fazer o bem pensando no que vamos ganhar em troca. Em tempo de política estamos acostumados com as “caridades interesseiras” comuns em nossa época. 

 

O cristão, o seguidor de Jesus deve viver de certa forma que o fazer o bem seja um costume natural em suas atitudes. Fazer não porque será reconhecido por isso, mas porque Deus precisa de nossa bondade e ele está ali esperando.

 

Fazer o bem sem olhar a quem é um remédio para muitos males nos ensina os cientistas naturalistas. Além de resolvermos problemas imediatos dos que estão ao nosso lado sentimos uma paz interior por estar vivendo algo que o ser humano tem de natural em seu ser. A caridade é própria do ser humano e o realiza em plenitude. Acrescentando o âmbito teológico ao pensamento naturalista indicamos que Deus nos espera com nossa caridade. É por isso que ele nos fez assim.

 

Seguir Jesus, caminhar para a sua direita exige de nós. Não é só gritar o Rei, mas viver sua justiça. Caminhemos para o julgamento e preparemos nosso coração. Nosso julgamento não é apenas algo distante que um dia vamos chegar. Mateus nos ensina que ele já começou. Cada ato, cada gesto de caridade, cada esforço na construção do Reino são partes integrantes de nosso julgamento.

 

Sejamos verdadeiros seguidores de Jesus e praticantes de sua justiça. Não nos preocupemos com a direita ou com a esquerda. Façamos a caridade e ela nos salvará. O julgamento já começou, empenhemo-nos no seguimento de nosso Rei.

 

 

 

Deus abençoe a todos.

 

Boa semana.

 

 

Padre Reginaldo Antonio Ghergolet

 

ghergolet@hotmail.com

 

 

 

 

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